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quinta-feira, outubro 31, 2013

CARA METADE




              Com grande frequência encontro pessoas que aparentemente só se importam com uma coisa, e elas chamam essa coisa de “amor”. Não sei o que seria de verdade. Essas pessoas basicamente se resumem a falar do certo alguém que a interessa, estando ou não em um relacionamento. Além de bem chato, considero essa atitude um tanto preocupante. Em especial, porque o que se fala antes da relação não se demonstra no durante, muito menos ao final eminente. Antes era lindo e seria perfeito, no sonho tudo são flores, mas durante a relação apenas reclamações e desavenças. Onde foi parar todo aquele sonho de perfeição que resolveria todos os problemas da vida? 
            Será que existe algo mais decepcionante do que a busca por uma "cara metade"? Decepcionante pela quase impossibilidade de se encontrar alguém tão compatível, com quem se tem um relacionamento em que tudo é perfeito e que embates nunca acontecem. Principalmente porque quem acredita que isso é possível encara uma realidade muito triste, na qual as pessoas não são seres completos por si mesmos, onde sempre é preciso que exista outra pessoa que traga junto de si a felicidade. Triste é uma realidade pela qual se vive com o único fim de esperar por alguém que traga, finalmente, algo de significativo as nossas vidas, como se não fossemos donos do nosso destino. Então reformulando o começo do paragrafo; existe algo mais decepcionante e triste do que a busca por uma "cara metade"?
            Objetivamente, não vejo nada de vantajoso nessa relação "perfeita", na qual se vive coberto de uma permissividade disfarçada de compreensão e cumplicidade, pois tal atitude faz com que percamos o mais importante de se relacionar com outra pessoa: crescer. Encarar as diferenças faz com que cada vez mais consigamos desenvolver quem somos, nos relacionarmos com os outros é um processo de autoconhecimento e crescimento importantes, pois é através das relações com os outros que nos colocamos a prova todo o tempo.
            Da mesma forma não acredito que alguém queira de fato carregar o peso de outra vida, ou seja, a responsabilidade de toda felicidade de alguém. Isso quando realmente existe uma preocupação com a felicidade do outro e não só com o próprio ego. Ser feliz não é pra ser mérito de ninguém mais além de nós mesmos, encontrar em si a felicidade é mais real do que qualquer momento de intenso prazer que outra pessoa possa proporcionar.
            Não acho saudável a busca de uma "cara metade" como a dos contos de fadas, no qual o beijo marca o "felizes para sempre". Não podemos esquecer que o "sempre" é tempo demais e que as pessoas erram e que nós também erramos, porque de fato não existe um ideal e que não seremos o ideal de ninguém. Mas tudo bem porque assim construímos quem somos. Acredito que o mais importante é buscar a companhia verdadeira, aquela pessoa que nos inspira, que faz com que queiramos ser sempre melhores.