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quarta-feira, abril 08, 2015

Não nos tornamos menores porque não deu certo




    Quando um objetivo não é atingido nos desesperamos, temos raiva dos outros e de nós mesmos, buscamos culpados, sofremos... Mas todo esse desespero na verdade não faz sentido, pois o que “não é” mesmo que não seja “ainda”, não pode ser perdido e no mundo existe uma infinidade de coisas que podem acontecer, muitas delas independente da nossa vontade.
   Isso acontece porque nossas emoções penetraram tão profundamente naquela expectativa que quando ela não se realiza é como se o nosso mundo caísse, o chão desaparecesse e somos recobertos de vergonha por termos expressado tanto o nosso desejo, para por fim nos diminuirmos... 
    Ficamos nos sentindo pequenos, ou pela a culpa do fracasso ou por achar que outros podem definir a sua vida. Quando as expectativas não são realizadas não enxergamos como somente algo que não deu certo, mas vemos todo nosso mundo idealizado ser destruído.
    Chamo essa atitude de romantizar, quando romantizamos uma situação ou alguém, passamos a definir a nós mesmo por aquilo. Até chegamos a acreditar que a realização daquela vontade é a única maneira de se chegar à felicidade, ao mundo perfeito, a idealidade e quando nosso romance é destruído pela realidade é como se nós mesmos fossemos destruídos. Passamos a nos adjetivar como fracassados, fracos, derrotados, como se fossemos aquela própria situação que teve um fim. 
    Mas acontece que esse fim muitas vezes nada realmente tem a ver com aquilo que fazemos ou deixamos de fazer. Um dia, um momento, um fim: não é isso que diz quem somos. Talvez nada diga. 
    O que importa mesmo é que as perdas só podem acontecer se de fato tivemos algo. Não podemos abstrativar nossa vida, vivermos em cima de possibilidades, apenas podemos contar, de fato, com aquilo que já é. Não existe chão sólido no apenas possível.