Costumo dizer que não sei exatamente a minha idade. Tenho por volta de X anos. Deixei de contar a minha idade quando completei 14 anos. Até lá mais idade era sinônimo de liberdade - queria entrar nas sessões de cinema - depois disso eu logo percebi que mais idade poderia ser um fardo pesado.
Certa vez, relatando essa mesma história batida tive como resposta: "Já, eu gosto da minha idade. Toda vez que penso nela lembro da experiência que eu tenho, das coisas que vivi." Feitiço lançado contra o feiticeiro me pus a pensar sobre aquele aforismo.
As escolhas ficam tão mais fáceis quanto mais experiência se tem? Será? Será que é mais fácil escolher com mais experiência? Por quê, então, que eu vejo pessoas com tanta experiência incapazes de escolher. De escolher mesmo, naquele sentido que o Ash grita pro Pikachu: "Pikachu, eu escolho você!" Será que não é mesmo o contrário?
A experiência não torna mais fácil o não-escolher? O ato de diante de uma escolha dizer a ela "não" ? O que será que eu vivi até agora? O que seria essa experiência que eu tenho ou deveria ter? Ou melhor, pra quê serve essa experiência toda se as escolhas ingênuas são as mais prazerosas?
Há alguns anos atrás qualquer saída para um shopping ou o citado cinema era uma diversão. Hoje não. Qualquer show era um grande evento, hoje não. Qualquer viagem era um divisor de águas na minha vida, hoje não. Posso estar ficando cada vez mas ranzinza, mas eu acho que a experiência de certa forma banaliza as novas experiências, que aos olhos da experiência parecem velhas. Vai ver a experiência é uma droga lícita na qual todos ficamos progressivamente viciados e queremos dela sempre e sempre uma dose maior, algo que nos faça lembrar daquela primeira dose que de tão esquecida no passado alguns diriam que tem a ver com a figura materna.
Para onde foi o encanto do hoje banal, pra onde foi a novidade do cotidiano são perguntas válidas, mas o que me interessa é o que será escolhido daqui pra frente. O que, depois de todas as viagens que eu já fiz, define a minha próxima escolha de destino? Ou melhor: como deixar de dizer não e passar ao sim, ao escolher?

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