Difícil quando “a dor” se projeta em outras coisas, quando encontra representação em
coisas cotidianas e por isso se torna inevitável. Sentir “a dor” é inevitável.
Por alguns instantes, você a aceita resignada e, em outros, só consegue pensar
o quanto aquilo não é justo. Até que, um dia, você acorda e pensa: hoje eu
acordei bem, finalmente passou. Talvez não chegue nem a terminar de desenvolver
esse raciocínio quando se vê novamente imerso naquela realidade melancólica.
É... A gente se engana quase sempre.
A
dor física tem um sentido direto, objetivo e importante de ser, chama atenção para
algo. A dor física traz a tona que algo está mal no organismo. Mas a dor
emocional parece que só nos deixa “boiando” na realidade, enjoados e sem rumo.
O interessante é que ela pode ser tão intensa que se torna física, talvez para
ser mais bem compreendida enquanto dor. Não sei. O problema é que, para essa
dor, tornando-se física ou não, não temos remédio.
Saber
que, com o tempo, ela vai passar, ou pelo menos vamos nos acostumar a ela e,
quem sabe, deixar de “boiar” e finalmente retomar as “rédias” da própria vida
pode vir a ser um consolo para aqueles que são pacientes. Mas isso a gente só
sabe mesmo depois que saímos da tormenta, não tem jeito. Durante a tempestade
até se pensa, mas no fundo não se acredita. Os dias tornam-se infinitos e
aquela dor, “a dor”, parece que vai ser eterna.
Não
existe um meio para acelerar esse processo de superação. Existem apenas medidas
paliativas que anestesiam, mas não acabam com “a dor”, só nos fazem não
enxergar o problema por algum tempo. Não digo que isso seja algo ruim, podemos
naquele momento não estar prontos para resolver certas questões, em outro estaremos.
O
que considero errado nessas anestesias emocionais é envolver outras pessoas,
usar outra pessoa para fugir de questões que são só nossas... Isso, sim, que
não é justo. Nossa dor é parte da NOSSA evolução. Ninguém merece a pressão de
nos salvar de nós mesmos, ninguém deve carregar essa responsabilidade além de
nós. Pedir ajuda, com certeza, é válido, mas esperar que alguém seja
responsável pela superação que deve partir de nós é ingênuo e cruel ao mesmo
tempo.
Acredito
que a dor emocional tem exatamente a mesma função de um dor física, chamar
atenção para algo que está mal. Portanto, ignorar essa dor pode ser bastante
prejudicial para o nosso desenvolvimento, e o tratamento para ela é bem
particular e sútil. Crescer dói, mas não devemos ter medo. E também não devemos
ter pressa.

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