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sexta-feira, outubro 31, 2014

O Momento da Despedida


O momento da despedida nem sempre é aquele acompanhado de um “adeus”. Quase nunca sabemos se aquele será o último beijo, as últimas palavras, o último olhar. Apenas beijamos, falamos e vemos, assim, como sendo mais um. Não vou dizer aqui que devemos aproveitar nossos momentos como se fossem os últimos, porque é bem difícil.
Apenas quero dizer que as coisas possuem o valor que damos a elas, sempre existirão perdas, despedidas, aquela dor do fim. Mas se tornamos isso como o fim de nós mesmo nos perdemos. Acho que a melhor maneira de transformar a dor da despedida é a encarando como instrumento de transformação, como um novo começo. Mesmo que acreditemos que a realidade anterior era algo satisfatório, a vida possui muitos âmbitos que podem ser explorados e nossa vida pode sempre ser mais completa do que imaginamos. Quem sabe?
Cada momento pode ser o último, ou não, mas o que de fato ele sempre vai ser, é único. Portanto, devemos senti-lo como tal, e afirmo mais uma vez: as coisas possuem o valor que damos a elas. Assim, quando a transformação bater a nossa porta, e mesmo sem querer tivermos que abri-la. Aquele adeus vai ser carregado de nostalgia e boas vibrações e não repleto de frustração. 




terça-feira, setembro 09, 2014

"Retrato em Branco e Preto"




Sempre acreditei que quando acaba, acaba e que os pontos finais podem ser usados na vida em si. Mas de flash back em flash back a gente se pega remoendo dores já remoídas, como se nunca tivessem passado.
Ferida aberta? Ou sentimento real? Seria saudade? Não sei ao certo. Talvez seja somente o problema finalmente se resolvendo e a gente sendo capaz de tirar ele das sombras que o colocamos. Enfrentar com os olhos abertos aquilo que acreditamos já termos deixado morrer, pra em fim vermos o último suspiro, sentirmos a última dor que aquilo poderia nos causar, agora com a companhia da razão e da consciência. Esperança? Não.
Sou só eu tentando encontrar sentido e cada gota de pensamento que me ocorre, com o sonho de poder entender meus próprios medos para quem sabe um dia os mundos deixem de ser tão assustadores: tanto o que existe em mim, quanto os outros.




segunda-feira, junho 30, 2014

Fragmentos

imagem: anacamarra.blogspot.com.br/2009_03_01_archive.html


Em seu olhar encontrei verdades
daquelas que a vida teima calar,
hoje talvez tenha o que importa,
mas só por você fui capaz de transformar.

Em teus olhos descobri o que faltava
entendi o caminho a seguir,
passando por tormentas e lágrimas,
em você senti que poderia conseguir.

Suas palavras em meus ouvidos ecoam,
não como paixão nem nada,
uma gratidão eternar,
amor sem fim.

Mas sinto que algo vem e nos separa
para longe,
para o nada,
para...



quinta-feira, maio 01, 2014

QUEM É O MESTRE?




Dizem que aquele que é o melhor é o grande mestre, acredito que o mestre na verdade, é aquele capaz de reconhecer o melhor  que existe em cada um.  O mestre é aquele que não impõe aprendizados, mas valoriza os interesses, cria seres capazes de seguirem seus próprios caminhos, sabe respeitar o tempo de cada um.
Meu mestre chegou ao meu coração com a mente firme, o espírito confiante, sorrindo...  Sempre sorrindo. Feliz com a família que ele tinha conquistado com seus discípulos, com a família que somente existe porque assim ele fez acontecer, essa família que se apoia e cuida... Mesmo na distância. Meu mestre não fala, ele mostra, ele é. Meu mestre inspira de maneira tal, que para ele apenas consigo dizer que sim. Mínimo que posso fazer por tudo que ele fez permitindo que entrasse em sua família, me recebendo de braços abertos, valorizando nossas conquistas, reconhecendo nossos desejos mesmo aqueles que apenas temos em silêncio. 


terça-feira, abril 01, 2014

#ClaNessa: contagem regressiva para o que tiver de vir



Alguns acreditam que o romance das meninas Clara e Vanessa participantes do BBB14 tem data certa para acabar, outros acreditam que na verdade tem data certa para começar de vez. Ou seja, contagem regressiva para o que tiver de vir. Não posso dizer que a relação delas existe devido ao confinamento e a restrição de oportunidades, ou “casualidades” jogo, não posso dizer também que existe devido a um encontro sublime programado pelo destino. Quem vai saber?
A emissora responsável pelo programa a princípio deixou o casal #ClaNessa a margem, dificultando uma análise mais profunda dos elementos que levaram ao seu início. O que pude observar foi a cumplicidade entre as duas amigas, mas não da maneira negativa como uma “gangue”, e sim, como um “encontro de almas” (eu sendo poética). Uma parece ter encontrado na outra familiaridade nas ações, abrigo, segurança. Sentimentos importantes para se viver bem, e que dentro de um reality show são bem escassos, levando em conta que esse tipo de programa é produzido de modo que aconteça desconforto e desavenças. Outro ponto importante para que houvesse o início do relacionamento foi a obvia atração física, mas o que torna o casal mais interessante que os outros do programa e de muitos lugares é que esse não foi o primeiro passo, o início de tudo. Foi só uma constatação do que aparentemente já estava latente: o interesse real de uma pessoa para com outra. Que pode ser real independente das condições de estarem em um reality show.
Mas mesmo com todos os fatores apresentado ao coração para que as duas encarassem o fato (“somos um casal!”) de frente foi preciso muito ciúmes. Elas precisavam dizer uma a outro e até para o público ansioso, pois até então tudo era silêncio e emoção, brincavam, riam, cuidavam, mas sentiam caladas. Acredito que não queriam pressionar uma a outra, devido ao respeito ao casamento da Clara e a falta de habilidade da Vanessa em lidar com os sentimentos. Ciúmes nunca foi o melhor dos sentimentos, mas apenas nele nós e penso que elas também puderam ter certeza de que algo muito intenso estava acontecendo. Ciúmes é descontrole, é excesso, é medo. Medo de perder aquilo que não conseguiu viver com todas as vontades? medo que tudo aquilo acabe?
É isso mesmo, Clara é casada. Portanto, há de se levar em conta a questão do casamento.  Por mais que a própria Clara diga que não é empecilho, que tudo pode acontecer e que na vida tudo são flores e poliamor, todos sabemos que em uma situação como essa as coisas não são simples, porque os sentimentos envolvidos complicam, e que ainda por cima este é um relacionamento que está acontecendo em rede nacional. Ou seja, o relacionamento delas parece que não é somente ficar em uma festa, é o querer ficar todo o dia e não (poder) acontecer. Tem início uma aparente luta entre a vontade e o respeito à relação precedente da Clara. Acredito que essa batalha tenha acontecido para as duas  .
Percebi que ao final para elas a palavra de ordem é aproveitar. Assim, fazem planos para o futuro, sem terem noção do que as espera fora (coisas que podem ser muito cruéis). Enquanto as confusões típicas do Big Brother Brasil acontecem, a maior preocupação das duas é passarem os aniversários juntas e dançarem “Tempos modernos” abraçadas todas as milhares de vezes que a música tocar. Vivendo essa relação como podem, preparando-se para um futuro que na verdade é somente uma grande interrogação.


Links: http://instagram.com/shipperclanessa

quinta-feira, outubro 31, 2013

CARA METADE




              Com grande frequência encontro pessoas que aparentemente só se importam com uma coisa, e elas chamam essa coisa de “amor”. Não sei o que seria de verdade. Essas pessoas basicamente se resumem a falar do certo alguém que a interessa, estando ou não em um relacionamento. Além de bem chato, considero essa atitude um tanto preocupante. Em especial, porque o que se fala antes da relação não se demonstra no durante, muito menos ao final eminente. Antes era lindo e seria perfeito, no sonho tudo são flores, mas durante a relação apenas reclamações e desavenças. Onde foi parar todo aquele sonho de perfeição que resolveria todos os problemas da vida? 
            Será que existe algo mais decepcionante do que a busca por uma "cara metade"? Decepcionante pela quase impossibilidade de se encontrar alguém tão compatível, com quem se tem um relacionamento em que tudo é perfeito e que embates nunca acontecem. Principalmente porque quem acredita que isso é possível encara uma realidade muito triste, na qual as pessoas não são seres completos por si mesmos, onde sempre é preciso que exista outra pessoa que traga junto de si a felicidade. Triste é uma realidade pela qual se vive com o único fim de esperar por alguém que traga, finalmente, algo de significativo as nossas vidas, como se não fossemos donos do nosso destino. Então reformulando o começo do paragrafo; existe algo mais decepcionante e triste do que a busca por uma "cara metade"?
            Objetivamente, não vejo nada de vantajoso nessa relação "perfeita", na qual se vive coberto de uma permissividade disfarçada de compreensão e cumplicidade, pois tal atitude faz com que percamos o mais importante de se relacionar com outra pessoa: crescer. Encarar as diferenças faz com que cada vez mais consigamos desenvolver quem somos, nos relacionarmos com os outros é um processo de autoconhecimento e crescimento importantes, pois é através das relações com os outros que nos colocamos a prova todo o tempo.
            Da mesma forma não acredito que alguém queira de fato carregar o peso de outra vida, ou seja, a responsabilidade de toda felicidade de alguém. Isso quando realmente existe uma preocupação com a felicidade do outro e não só com o próprio ego. Ser feliz não é pra ser mérito de ninguém mais além de nós mesmos, encontrar em si a felicidade é mais real do que qualquer momento de intenso prazer que outra pessoa possa proporcionar.
            Não acho saudável a busca de uma "cara metade" como a dos contos de fadas, no qual o beijo marca o "felizes para sempre". Não podemos esquecer que o "sempre" é tempo demais e que as pessoas erram e que nós também erramos, porque de fato não existe um ideal e que não seremos o ideal de ninguém. Mas tudo bem porque assim construímos quem somos. Acredito que o mais importante é buscar a companhia verdadeira, aquela pessoa que nos inspira, que faz com que queiramos ser sempre melhores.



quarta-feira, setembro 11, 2013

As Vezes é Só Isso Que Falta...



Observando a atitude dos meus adolescentes comunicativos (meus alunos), vi um grupo de meninas simplesmente com raiva de uma outra que até a semana passada era grande amiga de todas. Sei que esse tipo de atitude é comum nessa idade, mas nem por isso podemos deixar a crueldade correr solta. Em especial porque adolescentes demonstram orgulhosamente o que sentem, talvez sem entender exatamente o que sentem, então podem ser extremamente cruéis. Mas acredito que a intenção deles seja se expor, se mostrar como queriam ser vistos. 
 Bem… pensando só um pouquinho mais, isso não é exclusividade do adolescente, isso é coisa de pessoas inseguras, sem autoconhecimento que podem estar em qualquer fase da vida. Ser adolescente e agir assim é compreensivo, o problema é que essa “desculpa” em certo momento deixa de servir.
Muitos passam a vida inteira procurando grupos para se mancomunar em busca de identidade e aceitação que não encontram em si mesmos, para, enfim, procurar reprimir aqueles que na verdade só querem viver a vida a sua maneira, com os próprios objetivos, resolvendo os problemas que venham a surgir. Problemas que já seriam difíceis o suficiente. Já não bastava toda essa dificuldade (porque viver é difícil), ainda chegam pessoas que se encontram também enfrentando seus próprios dramas, mas que intencionalmente se interessam em atrapalhar os outros. Por que?
Eis a questão. Pessoas que precisam reprimir outras, para de alguma maneira se mostrarem superiores. Mas essa coisa de superioridade realmente não existe. Agir de forma cruel procurando parecer inatingível demonstra apenas que a pessoa se vê pequena e frágil, na medida em que ela é de fato pequena e frágil. Quem é forte e tem confiança em si mesmo, simplesmente é, não pensa sobre isso, não se esforça para mostrar qualquer coisa.
“Tudo bem” um adolescente ter certas atitudes vis, enquanto essas atitudes forem somente momentos. Porque, em geral, ninguém nasce dominando ou conhecendo as potencialidades que possui. Porque a nossa essência, quem somos, só encontramos vivendo. Menosprezar os outros para se sentir melhor consigo mesmo se torna pouco importante quando se encontra a própria força, quando se efetiva a potencialidade, alcançando assim a felicidade em si mesmo. Na medida em que se percebe que não precisa de ninguém “abaixo” para se estar “a cima”, porque na verdade não existe esse “abaixo” ou “a cima”, existem pessoas como eu, como todos os seres, que estão lutando para viver da melhor maneira possível, cada um com seus princípios, as suas necessidades, seu modo de ser. Mas todos estamos, crescendo, aprendendo, lutando, vivendo intensamente. Quem é realmente confiante de si quer na verdade que todos encontrem o seu melhor para poderem viver em um mundo onde as pessoas são mais felizes, um mundo onde não existe crueldade, pois entendo que a crueldade é fraqueza. 
Observando um pouco mais meus alunos antes de tomar alguma atitude percebi que a recém excluída do grupo estava namorando um rapaz também da sala de aula (Inveja. Identificado o problema, pensei). Essa era a única coisa notadamente diferente na rotina dela. Percebi também que ela não precisava da minha intervenção, ela conseguia levar a situação com resignação. Senti orgulho ao ver uma jovem, em um momento tão difícil, equilibrada como ela estava. Então, para não atrapalhar e desestabilizar a garota de alguma maneira, eu resumi a minha atitude a apenas demonstrar a ela que havia percebido a tensão existente e que se ela tivesse necessidade de algo poderia me procurar. 
As vezes é só isso que falta para nos sentirmos capazes, as vezes só precisamos que outras pessoas nos vejam como pessoas capazes antes de nós mesmos, e que demonstrem que somos compreendidos de alguma maneira. Em especial, somos mais fortes e melhores quando não nos sentimos sozinhos nessa tempestade que é viver, nem que seja por um instante. Tão mais simples seria ajudar, criar vínculos  Já que todos estamos no mesmo barco, devemos também remar em sincronia. Um olhar de afeto e compaixão é mais fácil do que atitudes de reprovação e desprezo. É também mais valioso, atitudes positivas são mais significativas e profundas. Ao falar com a aluna, pude notar o alívio em seus olhos, não porque ela não estivesse se saindo bem, mas porque ela não estava só, que mais alguém estaria ao seu lado caso fosse preciso. 

sexta-feira, julho 05, 2013

PARADA PARA QUEM?




A alguns dias vi uma matéria muito triste sobre a agressão e prisão de homossexuais na Rússia, eles foram presos pelo simples fato de terem expressado sua homossexualidade em uma tentativa de parada gay. Na Rússia, qualquer tipo de expressão pública de uma relação homossexual é proibida, para a proteção das crianças e adolescentes. Mas me pergunto como eles pensam que podem proteger a juventude impedindo que esses sejam completos e livres para aceitarem o que de fato já sentem? Toda essa situação dramática me fez refletir sobre a essência da parada gay. 
Porque, até então, via a parada gay, pelo menos em Fortaleza, como um movimento que de certa maneira perdeu o seu foco. Aparentemente a maioria dos presentes não entendem bem o motivo da parada existir. Apenas sabem que existe uma grande possibilidade de conhecer gente nova e ouvir muita música, como uma grande festa que dura quase um dia inteiro e que é inteiramente grátis. Não querendo nunca desmerecer as pessoas que realmente levantam a bandeira e buscam que os diretos que cabem a todos os seres humanos sejam respeitados, em geral me sentia desconfortável em estar presente em um movimento que era pra ser tão sério, mas que é levado dessa maneira quase que banal pela maioria. Mas ao ver pelo que aquelas pessoas corajosas na Rússia passaram lembrei ou descobri (não sei bem) o real motivo de uma parada gay. 
Quero estar na Beira Mar dia 7 de Julho na parada gay de Fortaleza por aquelas pessoas na Rússia e por todas as outras que em todo o planeta são proibidas de serem completas, que são obrigadas a sentirem vergonha por amar. Quero que aquelas pessoas na Rússia saibam que apenas em uma cidade, nem tão grande assim, no Brasil exitem milhares de pessoas que são satisfeitas e realizadas por serem quem são e que gritam para o mundo “eu existo”. 
Quero que eles saibam que não estão sozinhos porque essa luta é de todos nós, de todos os seres humanos, pois enquanto existirem limitações para a subjetividade humana ninguém será de fato livre. 



quinta-feira, junho 06, 2013

Aquilo Que o Coração Não Sente





         Hoje vi alguns jovens rirem de um senhor, morador de rua, provavelmente senil, andando de cueca pela praça. Além dos trages, ele fazia sons com a boca que não pareciam palavras, embora eu acredite que pare ele aqueles sons significassem algo. O senhor não conseguia andar em linha reta e nem cheirava bem, mas enquanto estive lá não o vi incomodar propositalmente a ninguém, apenas ficava andando e "falando", com um cigarro apagado na mão, de um lado para o outro. Enquanto isso rapazes de dentro de um carro parado em frente a praça desperdiçaram longos minutos simplesmente rindo do senhor. 
Fiquei me perguntando do que exatamente eles estavam rindo, Se de uma pessoa que tinha perdido ou nunca tido (não sei) a capacidade de discernir sobre as coisas, a capacidade de entender que se condicionou usar um pouco mais de roupa em ambientes públicos e de usar uma das línguas já existentes, que mais de uma pessoa domina e não uma linguagem particular que apenas interessa a ele. Ou talvez eles estivessem rindo de uma pessoa andando descalça sob o Sol ao meio-dia em Fortaleza e que apenas tinha para se proteger uma simples peça de roupa, onde ele guardava uma carteira de cigarros sem cigarros dentro.
Cheguei a conclusão de que quero bem longe de mim pessoas que não demonstram nenhuma sensibilidade frente as condições de vida do outro. Dizem que o que determina o ser humano é a razão, pois que seja, mas o que determina que "tipo" de ser humano essa criatura racional vem a ser é a sensibilidade. Caso a tivessem, pelo menos um pouco, não olhariam para um senhor de idade sozinho, sem roupa, descalço e ririam como se fosse um objeto para o seu entretenimento. Pelo jeito as pessoas riem daquilo que o coração não sente.
Espero ter em minha vida particular apenas pessoas que olhem e vejam o que de fato se tem para ver em toda essa cena: o sofrimento, a miséria, o abandono. Espero manter pessoas que se comovam e se revoltam com a dor alheia. Certamente aos olhos dessas pessoas nada nessa cena  teria a menor graça.

quarta-feira, abril 10, 2013

O QUE É INEVITÁVEL




Difícil quando “a dor” se projeta em outras coisas, quando encontra representação em coisas cotidianas e por isso se torna inevitável. Sentir “a dor” é inevitável. Por alguns instantes, você a aceita resignada e, em outros, só consegue pensar o quanto aquilo não é justo. Até que, um dia, você acorda e pensa: hoje eu acordei bem, finalmente passou. Talvez não chegue nem a terminar de desenvolver esse raciocínio quando se vê novamente imerso naquela realidade melancólica. É... A gente se engana quase sempre.
A dor física tem um sentido direto, objetivo e importante de ser, chama atenção para algo. A dor física traz a tona que algo está mal no organismo. Mas a dor emocional parece que só nos deixa “boiando” na realidade, enjoados e sem rumo. O interessante é que ela pode ser tão intensa que se torna física, talvez para ser mais bem compreendida enquanto dor. Não sei. O problema é que, para essa dor, tornando-se física ou não, não temos remédio.
Saber que, com o tempo, ela vai passar, ou pelo menos vamos nos acostumar a ela e, quem sabe, deixar de “boiar” e finalmente retomar as “rédias” da própria vida pode vir a ser um consolo para aqueles que são pacientes. Mas isso a gente só sabe mesmo depois que saímos da tormenta, não tem jeito. Durante a tempestade até se pensa, mas no fundo não se acredita. Os dias tornam-se infinitos e aquela dor, “a dor”, parece que vai ser eterna.
Não existe um meio para acelerar esse processo de superação. Existem apenas medidas paliativas que anestesiam, mas não acabam com “a dor”, só nos fazem não enxergar o problema por algum tempo. Não digo que isso seja algo ruim, podemos naquele momento não estar prontos para resolver certas questões, em outro estaremos.
O que considero errado nessas anestesias emocionais é envolver outras pessoas, usar outra pessoa para fugir de questões que são só nossas... Isso, sim, que não é justo. Nossa dor é parte da NOSSA evolução. Ninguém merece a pressão de nos salvar de nós mesmos, ninguém deve carregar essa responsabilidade além de nós. Pedir ajuda, com certeza, é válido, mas esperar que alguém seja responsável pela superação que deve partir de nós é ingênuo e cruel ao mesmo tempo.
Acredito que a dor emocional tem exatamente a mesma função de um dor física, chamar atenção para algo que está mal. Portanto, ignorar essa dor pode ser bastante prejudicial para o nosso desenvolvimento, e o tratamento para ela é bem particular e sútil. Crescer dói, mas não devemos ter medo. E também não devemos ter pressa.